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09/02/2012 - PINHEIRINHO: Exemplo de IRRESPONSABILIDADE SOCIAL REPERCUSSÃO MUNDIAL através das TECNOLOGIAS de MÍDIAS DIGITAIS

Já é de conhecimento de todos a nível nacional e internacional o caso ocorrido com Pinheirinho, devido à sua forte repercussão na internet e em outras mídias. A operação sob força da Polícia Militar para desocupação de Pinheirinho em São José dos Campos, interior de São Paulo, ocorreu no domingo do dia 22 de Janeiro de 2012, às 6h da manhã.O terreno, cuja área corresponde a 1 milhão e 300 mil metros quadrados, pertence à massa falida de uma empresa do especulador Naji Nahas, ocupada em 2004 por um grupo ligado ao Movimento dos trabalhadores-sem-terra, passando a ser disputada na Justiça, desde então. Segundo notícias, a operação que contou com cerca de 2 mil policiais e dois helicópteros águia, utilizou-se de intensa agressividade, violência e do efeito surpresa na remoção dos moradores de suas casas. Além dos tiros de borracha e do uso exagerado de gás lacrimogêneo. Foram cerca de 1700 famílias desapropriadas à força, cerca de 6 mil moradores, que mal puderam pegar seus pertences antes de deixarem seus lares.

Este fato, devido ao modo desestruturado de agir no campo social, tem gerado repugnância da sociedade civil organizada - uma reação natural frente à crueldade e indiferença com aquelas famílias. Atualmente, quando acontecem fatos que despertam a indignação da sociedade civil, a internet - um dos principais veículos de comunicação dos tempos atuais - torna-se uma poderosa ferramenta de expressão em massa, por meio da qual, matérias jornalísticas de mídias alternativas e independentes, e outras, tornam internacionais casos locais, como o de Pinheirinho. Dessa forma, pode-se mensurar o poder das novas tecnologias, sobretudo da mídia digital que consegue abranger em amplitude global o maior número de espectadores possível em tempo real. Por meio de relatos, denúncias e protestos, a internet consegue reunir em um mesmo espaço – virtual – pessoas de todas as classes sociais que não se calam diante de situações que nos envergonham. Tais acontecimentos são fortes provocadores de discussões públicas, que trazem a tona o sentimento de coletividade, pois despertam a revolta popular em decorrência da invalidação da Constituição Federal, dos Direitos Humanos, além da corrosão da noção de direito, democracia e cidadania.

A lida inconseqüente, desestruturada e irresponsável, infelizmente não é exclusividade do Poder Público. Trata-se de uma situação que tem acontecido em diversos locais do Brasil e em diversas esferas (público e privada).

O Brasil encontra-se em uma quadra de tempo favorável e sua economia cresce de forma consolidada. Grandes obras de infra-estrutura emergem por todas as partes: gasodutos são implantados, rodovias são privatizadas e ampliadas, ferrovias, portos e aeroportos são criados e reformados em todo o País.

Neste ambiente de crescimento estrutural, muitas vezes o avanço solicita que haja desapropriações e intervenções sociais e ambientais que geram impactos de relativa magnitude. No entanto, as empresas responsáveis por estes empreendimentos, normalmente, desprezam a realização de uma prévia análise socioambiental, econômica e cultural do local a ser impactado. Este diagnóstico exploratório e preventivo ajudaria a mitigar a extensão do “estrago” potencial que estas obras de grande impacto podem causar, além de contribuir positivamente com a reputação da empresa perante a sociedade civil.

Deste modo, a comunicação estratégica, a predisposição a um diálogo estruturado e a conseqüente negociação equilibrada são elementos “mágicos”, que podem definir os resultados da ação. Uma intervenção estrutural de grande porte tanto pode resultar em uma relevante contribuição para a sociedade, quanto em um evento que abale negativamente a imagem da corporação responsável. 

Casos como o de Pinheirinho nos apontam que tanto os governos quanto as empresas estão aprendendo, por meio de situações adversas, que as boas práticas da Comunicação SOCIALMENTE RESPONSAVEL não são custos desnecessários ou improdutivos. Ao contrário, são ações fundamentais, alinhadas ao novo cenário de negócios, e imprescindíveis frente ao poder de organização que a sociedade civil dispõe na atual era digital e globalizada - ante às inúmeras tecnologias que nos aproximam cada vez mais. Práticas comprometidas o social e ambiental são coerentes com a crescente demanda por empresas que abarquem de forma legítima os conceitos contemporâneos de SUSTENTABILIDADE e RESPOSABILIDADE SOCIAL.

Por Lália Victor Barros¹ e Cláudio Albuquerque²

¹ Assistente Social - Bacharel em Serviço Social pela Universidade Federal Fluminense, 2011. Responsabilidade Social e Ambiental – ImparBrasil.

² Doutor pela Escola de Política, Filosofia, Serviço Social da UFRJ - Diretor da ImparBrasil.